2 Práticas para seres mais feliz e saudável, sem gastares um tostão!

No último artigo desta seção, 7 Dicas para praticares Mindfulness falei-te sobre as 7 atitudes que Jon Kabat-Zinn definiu inicialmente como sendo parte integrante do Mindfulness. Mais tarde, Kabat-Zinn acrescentou a gratidão e a generosidade, pelo que atualmente se reconhece o desenvolvimento de 9 atitudes para praticar Mindfulness.

Lembras-te das 7 que te falei anteriormente? Cá vai uma breve revisão: 

  1. Não-Julgamento: capacidade de observar as coisas tal como são, sem atribuir classificações, avaliações ou julgamentos da experiência.
  2. Paciência: aceitar que tudo acontece no seu tempo, com o seu ritmo.
  3. Mente de Principiante: curiosidade e abertura à experiência para observar o que for como se se tratasse da primeira vez. 
  4. Confiança: competência de estar em conexão com a própria experiência interna, menos dependente da avaliação externa e abrindo mão do controlo. 
  5. Não-esforço: estar em paz com aquilo que já está a acontecer no momento, em ti ou fora de ti, desistir de lutar para que as coisas sejam o que não são.
  6. Aceitação: observar as coisas com equanimidade, sem julgamento. Verificar que as coisas são o que são.
  7. Deixar ir: permite à experiência fluir naturalmente naquilo que é, conseguindo ter maior “distância” da experiência interna.

Para reveres as sugestões que deixei para a prática de cada uma destas 7 atitudes, espreita o artigo anterior aqui.

8 – GRATIDÃO
Já reparaste que quando estás consciente das coisas pelas quais te sentes grato/a, o teu bem-estar aumenta? Se não, experimenta esta semana. Escolhe uma daquelas coisas que todos os dias tens ao teu dispor e que já nem “vês”, tal é a força do hábito ou o piloto automático em que te encontras. Estou a falar de coisas muito simples, tais como: acordares debaixo de uma casa com teto, numa cama confortável, teres água quentinha para tomar banho, teres olfato para sentir o cheiro do teu perfume favorito, teres visão para poderes olhar para quem amas, teres a capacidade de respirar sem esforço, teres comida para te alimentares, roupa para te vestires, poderes estar fisicamente com alguém cuja companhia aprecias, teres alguém que te sorri, etc., etc., etc. Estou certa que se procurares, vais encontrar milhentas “pequenas-grandes” coisas pelas quais podes sentir gratidão. Podes começar já, agora mesmo. Agradece o facto de estares a ler este artigo, de teres tirado este tempo para ti, de poderes aceder a algo que te está a interessar, etc.

A minha sugestão é que todos os dias pratiques ativamente a gratidão. Porque teres consciência agora que estás a ler isto e não voltares a dedicar-te ao assunto vai fazer com que entres em piloto automático mais depressa do que o diabo pisca um olho.

Então, faz uma coisa, uma destas, tu escolhes (ou outras que te lembres, claro):

– arranja um pote de vidro onde todos os dias colocas um papelinho colorido escrito por ti com algo que agradeces nesse dia;

– reserva um momento por dia para tomares consciência de que estás a respirar, olha para a tua mão e enumera 5 coisas que tens a agradecer nesse preciso momento, uma para cada dedo.

– escreve num diário algo que agradeces nesse dia.

– telefona a alguém a quem te sentes grato/a por estar na tua vida, só para dizer olá, gosto de ti e agradeço-te por estares comigo.

Quem pratica a gratidão tem uma visão mais otimista da vida, pelo que ativa menos a resposta de stress, e, portanto, tem um sistema imunitário mais resistente. Ser grato/a vai fazer-te mais feliz e saudável.

O que te parece? É que não é culpa tua nem de ninguém, mas a verdade é que o nosso cérebro está mais preparado para prestar atenção às coisas ameaçadoras, que possam colocar em causa a sobrevivência da espécie. No momento em que escrevo este artigo, julgo que se tivesse optado por escrever “Coronavírus” no seu título, teria bem mais leitores/as. O que faz sentido, numa perspetiva de garantir a sobrevivência. No entanto, já tomaste consciência que a maioria das vezes que estás a reparar em coisas negativas – aquilo que devias ter feito de outra forma, o que não está bem assim, as duas vezes que já chamaste para jantar e ninguém respondeu, o tempo que estás a perder numa fila de trânsito, etc. (são milhares de exemplos!) – não estás propriamente a correr riscos de vida? E já tomaste consciência que o teu cérebro tende a não “notar” todas as coisas positivas que tens ao teu dispor? Pois bem, se juntares estes dois elementos, fica fácil entender que muitas vezes podíamos estar bem mais felizes, não é verdade? Então mãos à obra: toca a praticar a gratidão.

9 – GENEROSIDADE
Já notaste que quando tens oportunidade de fazer algo por alguém (seja um favor, seja aquele abraço ou palavra amiga, etc.) também te sentes melhor, só porque praticaste a generosidade? É espantoso, a nossa espécie sobreviveu porque se uniu e conseguiu fazer face aos recursos de outros predadores. O nosso cérebro está preparado para praticar a generosidade. Isso também faz parte da nossa sobrevivência.

E quando és generoso/a com alguém, nota que há tendência para a tua ligação a essa pessoa ficar mais forte, para te sentires mais conectado/a e protegido/a. Somos animais sociais. Por isso, quando dás algo de ti a alguém estás a abrir-te à possibilidade de te relacionares de forma mais gratificante (para ti e para a outra pessoa também) e a alimentar relacionamentos estáveis e apoiantes na tua vida. E só isso é meio caminho andado para que te sintas bem. Se estás integrado/a, se sentes que pertences a algo que te transcende, ganhas uma sensação de proteção e pertença, que são muito importantes para a tua saúde mental.

Por outro lado, quando dás generosidade, semeias generosidade. E por aí adiante. É o efeito borboleta consciente.

Então escolhe uma destas sugestões, ou faz outra que te lembres para praticares a generosidade esta semana:

– voluntaria-te para fazeres uma tarefa qualquer por alguém;

– prepara um “mimo” a alguém (por exemplo, uma refeição, uma massagem, uma surpresa, etc.)

– partilha com alguém algo que é teu (pode ser uma memória, um episódio, uma música ou filme favorito, um momento, etc).

Vivemos numa sociedade muito individualista. Cada vez convivemos menos, ou fazemos isso sem o contacto direto humano, recorrendo-nos destas tecnologias, que podem ser ótimas mas quando utilizadas em excesso, nos alienam do convívio com outros seres humanos. E isso é muito perigoso para a nossa saúde mental e bem-estar. O isolamento e a solidão podem matar. Por isso, quando praticas a generosidade, não só estás a provocar um impacto positivo na vida de alguém, como estás a promover a tua saúde mental. E se tu és um/a educador/a ou cuidador/a, imagina só o impacto positivo que tem uma ação consciente de generosidade.

Conheces alguém que está constantemente a queixar-se da vida e a ver problemas em tudo? Quero dizer-te que essa pessoa está em sofrimento. Um ato de generosidade poderá ser partilhar esta informação com ela, faz-te sentido?

Vai passando por cá. Vou falar-te mais sobre este e outros assuntos que te podem interessar.
Se te fez sentido e achas que pode fazer sentido a alguém, partilha este artigo.
Até breve, boa semana!

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Fundadora M'BE Mindful Butterfly Effect
Psicóloga Clínica | Terapeuta Sexual |Formadora | Facilitadora de
Parentalidade Positiva e Consciente  
www.mindfulbe.pt
sonia.araujo@mindfulbe.pt

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