7 Dicas para o teu filho colaborar contigo. Sem berros, palmadas, ameaças ou promessas!

Olá, esta semana quero deixar-te algumas dicas para promoveres a colaboração do teu filho, sem recorreres a berros, palmadas, ameaças ou promessas e subornos. Ou seja, vou-te falar sobre como conseguires uma verdadeira colaboração e não uma obediência mascarada de colaboração. Interessa-te? Então lê até ao fim. Se a tua intenção é desenvolver uma relação cooperativa com o teu filho, este artigo é para ti.

#Dica N.º1: Conecta-te

O primeiro ponto que me parece mesmo importante que fique claro para ti é que não é possível obter uma relação baseada na colaboração sem que haja conexão. Quando te sentes distante ou desligado/a de alguém apetece-te colaborar com essa pessoa? A mim também não. Também é sabido que as crianças aprendem melhor com quem gostam. Então, investe na relação. Investe tempo para ser, para estar, para escutar e para brincar. Pelo menos 10 minutos por dia. Quando retomas o teu contacto com o teu filho, após um dia de trabalho para ti e de ausência de ti para ele/a, o importante mesmo é conectarem-se primeiro. A seguir, vais ficar mais disponível para as tarefas do quotidiano, e aumentar a probabilidade de o teu filho também ficar.

#Dica N.º 2: Colabora

As crianças aprendem o que vivem (e os adultos também). Sem colaborares com o teu filho, fica mais difícil para ele ter o modelo de cooperação. Imagina o seguinte cenário: o teu filho esteve a brincar com os legos e no fim da brincadeira há uma construção, e há também peças espalhadas pelo chão da tua sala. Não queres as peças no chão e pedes-lhe que arrume. E ele diz-te “agora não me apetece”. Claro que podes decidir que pode ser depois, e também podes decidir que, naquele dia e momento em particular é para ser agora, e não depois. O que fazer? Podes simplesmente dizer algo do género “entendo que não te apeteça agora e para mim é mesmo importante que seja agora, por isso hoje vou ajudar-te a arrumar as peças”. E começas tu a ajudar. Lembra-te que a ideia não é manipular, por isso, se a criança ficar só a olhar para ti ou a fazer outra coisa, não vás dizer algo do género: “então, achas bem eu arrumar e tu não?”. Se a tua intenção é educares o teu filho para a colaboração, mostra-lhe apenas como se faz. Podes não ter colaboração nesse dia, mas certamente plantaste a semente, e se a nutrires com persistência, ela irá desabrochar.  Sem usares manipulações, castigos, recompensas ou o que for. Apenas deste o exemplo.

#Dica N.º 3: Partilha

Um aspeto inerente às relações de cooperação é a partilha, concordas? O que achas que podes partilhar com o teu filho, para aumentares a probabilidade de ele aprender as vantagens de partilhar? Será que podes partilhar momentos do teu tempo livre, emoções, objetos, comida, pensamentos, etc.? Ao mostrares ao teu filho os sentimentos e sensações agradáveis que tens em partilhar, é muito mais provável que ele entenda o significado da partilha, que nada tem a ver com a imposição “empresta o teu brinquedo a este menino, porque tens de aprender a partilhar”. Lembra-te também que provavelmente não partilhas tudo o que é teu com toda a gente. O respeito na partilha é também muito importante, sob pena de já não estares a educar para a partilha, mas para a obediência a ordens.

#Dica N.º4: Pede

O teu maior interesse em relação ao teu filho é que ele saiba como fazer que os outros lhe obedeçam, ou que saiba respeitar os outros quando quer algo que os outros não estão disponíveis a dar? E como é contigo, em relação ao teu filho? Estás disponível para respeitar os limites dele, quando te diz não, ou estás na realidade a fazer exigências mascaradas de pedidos? Podes saber isso facilmente quando pedes ao teu filho algo e ele te diz que não. Se aceitas o não, provavelmente estavas a fazer um pedido. Se não aceitas o não e a seguir o tentas convencer ou mesmo obrigar a aceder ao que “pediste”, parece-me que estavas a fazer uma exigência. E agora poderás estar a pensar que não podes aceitar determinados “nãos” do teu filho. E tens toda a razão. A questão aí reside em tu seres a primeira pessoa que tem capacidade para perceber se estás a comunicar um limite, ou se é mesmo um pedido, em que a criança poderá responder afirmativa ou negativamente. Por exemplo, vais atravessar a rua com a criança de 3 anos e queres garantir a sua segurança. Se para ti não é uma opção que ela não te dê a mão para atravessar, sugiro que em vez de pedires “podes dar-me a mão para atravessar, por favor?”, lhe comuniques apenas o limite “vamos atravessar a rua de mão dada”. Às vezes o mais difícil é saberes para ti, de antemão, quando se trata de um limite ou quando é realmente um pedido – podes trabalhar isso recorrendo a uma das ferramentas da disciplina positiva – a proatividade (disso falaremos noutro artigo).

#Dica N.º5: Agradece

Também faz parte de uma relação colaborativa agradecer, concordas? Mais uma vez, não se trata aqui de “obrigar” a criança a agradecer, mas de dar o exemplo, para que ela o aprenda. Então sugiro que prestes atenção àquelas coisas que o teu filho já faz no sentido de colaborar contigo, e que lhas agradeças. Imagina o seguinte cenário: o teu filho adolescente não costuma fazer a sua cama antes de sair de casa pela manhã, quando tu já lhe disseste que gostarias que ele o fizesse. E hoje, fez. Então, presta atenção à tua resposta, pois pode acontecer que te apeteça dizer algo deste género “então não podias fazer isto todos os dias? demorou-te o quê, uns 2 minutos, não?”. Se te apetecer, talvez possas refrear essa reação, ao serviço de educares para a colaboração. E nesse sentido, talvez possa ser mais interessante dizeres algo como “reparei que hoje fizeste a tua cama antes de saíres de casa e quero agradecer-te, porque valorizo a arrumação”. Só isto

#Dica N.º6: Entrega-te

Conheces alguma relação verdadeiramente colaborativa em que uma das partes não se entregue à relação? O que quero dizer é que não acredito que possas educar alguém para colaborar verdadeiramente contigo se estiveres nessa relação com máscaras colocadas. Da minha experiência no trabalho com pais, costumo ver algumas delas. Vou dar-te um exemplo: “ah, e tal, isso de me entregar e ser autêntico é muito bonito, mas às vezes o meu dia é muito duro e eu não vou estar a mostrar ao meu filho que me sinto zangado, nem vou chorar à frente dele”. Quando vejo isto a acontecer, parece-me que existe uma resistência em aceitar e falar de emoções com as crianças. E quando isso acontece, não há grande capacidade de regular emoções, nem de mostrar à criança como isso se faz, ou que as emoções são necessárias, e não coisas perigosas e a evitar. Se ages assim, talvez precises de trabalhar um pouco a tua inteligência emocional. Também pode dar-se o caso de não teres tido esse modelo de entrega com os teus pais, e achares que a função de um pai é mostrar-se um ser perfeito, sem vulnerabilidades. E se assim for, vou dizer-te agora que discordo. Não me parece possível estar numa relação autêntica sem mostrares vulnerabilidades. E tendo em conta que és um ser humano, tal como o teu filho, tens emoções (porque todos temos). E por isso, será mesmo assim tão útil negar algo que é tão natural e universal à nossa espécie? Pensa nos relacionamentos que tens na tua vida onde sentes maior colaboração – são aqueles em que te entregas ou aqueles em que ages em função do papel que julgas assumir (o de mãe, o de pai, o de filho/o, amigo/a, parceiro/a, etc.)

#Dica N.º7: Envolve

Numa relação colaborativa, ambas as partes colaboram, concordas? Para que isso possa acontecer, ambas as partes estão envolvidas na cooperação. Dado que tu és o pai ou a mãe, é a ti que cabe orientar e educar, pelo que és tu que podes promover este envolvimento. Envolver um/a filho/a numa relação implica que ele/a sinta que tem uma função a desempenhar nessa relação e que é visto/a, reconhecido/a. Podes ir promovendo este envolvimento desde a primeira infância, procurando solicitar a opinião e propostas de solução do teu filho em assuntos quotidianos onde queres cooperação. Por exemplo: “tenho reparado que ultimamente temos estado cada um no seu smartphone ao final do dia, e sinto falta de me relacionar contigo de outra forma, para me sentir mais próxima de ti. O que achas que podemos fazer nesse sentido? Também gostarias de te sentir mais próximo de mim”?

E por esta semana é tudo.  Quero só dizer-te que escrevi estas dicas com a intenção de as praticares no dia-a-dia, e não apenas como “pensos rápidos” para situações em que gostarias ou te dava mesmo jeito era que o teu filho te obedecesse.

Vai passando por cá. Vou falar-te mais sobre este e outros assuntos que te podem interessar. Partilha este artigo com quem te fizer sentido.

Até breve, boa semana!

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    Fundadora M'BE Mindful Butterfly Effect
    Psicóloga Clínica | Terapeuta Sexual |Formadora | Facilitadora de
    Parentalidade Positiva e Consciente  
    www.mindfulbe.pt
    sonia.araujo@mindfulbe.pt

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