Queres saber se a tua relação amorosa é saudável ou violenta?

Porque é importante saberes isto?

No dia de 7 de Março comemora-se pela segunda vez em Portugal o dia de Luto Nacional pelas Vítimas de Violência Doméstica. Esta data comemorativa foi aprovada pelo Conselho de Ministros a 28 de fevereiro de 2019, como forma de prestar um tributo às vítimas de violência doméstica e suas famílias.

É verdade que a violência doméstica não se restringe ao âmbito das relações conjugais ou de namoro/intimidade. Ela afeta também pessoas em situação de maior vulnerabilidade, quer por motivos de idade (por exemplo, crianças e pessoas idosas), doença, incapacidade e dependência.  Só em 2019, morreram 35 pessoas vítimas de violência doméstica, das quais 1 criança, 7 homens e 25 mulheres. E houve e há muitas mais que foram e continuam a ser vítimas deste crime público. A maioria das vítimas mortais continuam a ser mulheres, assassinadas pelos parceiros ou ex-parceiros.

Hoje vou falar-te apenas sobre a violência doméstica que acontece no contexto de relações de intimidade, independentemente da orientação sexual e do estado civil. A minha intenção é partilhar contigo alguns sinais ou sintomas de que poderás estar numa relação amorosa não saudável ou violenta.

Sinais de que a tua relação amorosa é saudável

Se na tua relação amorosa geralmente podes experienciar os pontos que se seguem, acho mesmo que tens elevada probabilidade de estares num relacionamento amoroso saudável:

– Na tua relação, há risos e diversão, bem como manifestações de afeto e carinho.

– Na tua relação, há apoio, entreajuda e respeito mútuo.

– Na tua relação, há honestidade e diálogo sem julgamentos, manipulações ou insinuações.

– Na tua relação, fazem coisas em conjunto e também em separado.

– Na tua relação, convivem com amigos e/ou família.

– Na tua relação, há carinho, confiança, independência e alegria.

– Na tua relação, cada um assume responsabilidade individual.

– Na tua relação, há conflitos e desentendimentos, que se resolvem através do diálogo honesto e livre, e da procura conjunta de soluções, recusando sempre a violência.

– Na tua relação, há liberdade e direito à privacidade.

Quando isto acontece, estás numa relação saudável, na qual há espaço para seres exatamente como és, e sentes-te em segurança. Mesmo que haja ciúme, este nunca é utilizado como desculpa para agredir, magoar, assustar ou humilhar a outra pessoa.

Sinais de que a tua relação amorosa é violenta

Parece-me que há indicadores ou sinais que ao existirem indicam que estás muito provavelmente numa relação violenta, como por exemplo teres medo do temperamento e comportamento do/a teu/tua parceiro/a, ou sentires dependência dele/a, achando que não o/a podes perder. E existem também muitos outros, vê se te acontece:

– Na tua relação há geralmente mágoa, desilusão, ciúme, tristeza, raiva e discussões constantes.

– Na tua relação, um ou ambos os elementos estão assustados/as e com receio de fazerem algo que a outra pessoa não goste.

– Na tua relação há reações ciumentas e despropositadas, com ameaças e pressões.

– Na tua relação há violência, seja ela física (empurrar, puxar, bater, etc.), psicológica (ameaçar, coagir, perseguir, intimidar, etc.), verbal (gritos, insultos, etc.), sexual (pressão para ter atos sexuais, violação – lê mais sobre violência sexual aqui etc.) ou financeira (controlar e negar o acesso às finanças, etc.)

– Na tua relação, há controlo do que o outro faz (por exemplo, há inúmeros telefonemas ou mensagens a controlar o que o outro faz, onde e com quem cada está, ou um ou ambos acedem aos telemóveis, redes sociais, contas de email do outro).

– Na tua relação, um ou ambos os elementos estão afastados dos amigos e/ou familiares – existe isolamento e controlo dos passos, atividades e amizades da outra pessoa.

– Na tua relação um ou ambos estão demasiado dependentes um do outro e quase não há espaço para outros aspetos importantes da vida.

– Na tua relação, existe poder, controlo e intimidação, através de ações verbais ou físicas que causam medo.

– Na tua relação, existe negação do impacto negativo que os comportamentos agressivos, intimidatórios ou violentos têm na outra pessoa – um ou ambos os elementos desvalorizam a violência que existe.

Se identificaste um ou vários destes sinais, estou certa que não estás feliz nesta relação. Ainda assim, pode ser muito difícil para ti encontrar uma saída. Talvez não queiras terminar a relação e talvez estejas a confundir medo e dependência com amor. Se não estás bem e não estás a conseguir sair da situação, já deves ter reparado que há um ciclo que se repete. As coisas ficam mesmo feias, depois há um (ou vários) pedidos de desculpa e arrependimentos e depois as coisas voltam a estar bem, como se fosse uma lua-de-mel. Este é o ciclo típico da violência doméstica. Quero dizer-te que tende a piorar: com o tempo, cada vez há menos fases de lua-de-mel e elas duram cada vez menos tempo, agravando-se em intensidade e frequência a fase do conflito, com cada vez mais violência envolvida.

Se estás nesta situação, procura ajuda. Há associações que prestam apoio a vítimas, como por exemplo a APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Podes também procurar o apoio de um/a psicólogo/a, para conseguires ter o apoio que precisas para cortar esse ciclo. Que não sejas mais uma das vítimas mortais deste crime.

Se te fez sentido o que leste, ou conheces alguém a quem possa ajudar, partilhar este artigo nas tuas redes sociais. E vai passando por cá. Todas as semanas vou falar-te de assuntos que te podem interessar.

Até breve, boa semana!

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    Fundadora M'BE Mindful Butterfly Effect
    Psicóloga Clínica | Terapeuta Sexual |Formadora | Facilitadora de
    Parentalidade Positiva e Consciente  
    www.mindfulbe.pt
    sonia.araujo@mindfulbe.pt

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